Os jogos Cooperativos e o Bullying

Jogar e brincar é muito importante na infância, é através destas atividades que as crianças aprendem a estar no mundo, não é novidade no campo das ciências da educação a relação estreita entre brincar e aprender. Apesar do objetivo dos educadores e professores ser sustentar o processo de aprendizagem da melhor forma, de modo que os seus alunos tenham uma vida feliz e saudável, tanto o recreio como a sala de aula podem se tornar o palco de hábitos prejudiciais e comportamentos sociais negativos. 

Conforme foi mencionado anteriormente, os jogos cooperativos motivam os participantes a quererem cooperar, ensinando-os como cooperar corretamente e a reconhecerem o valor da cooperação em oposição à competição constante. Os jogos cooperativos fornecem oportunidades ricas para a aprendizagem experiencial e sensorial. Transmitindo lições valiosas, de forma leve, divertida e natural através da experiência pessoal direta. Mesmo que a aprendizagem individual também seja muito importante, trazer a cooperação para os espaços educativos permite uma interação entre os alunos mais saudável e produtiva. É muito benéfico que os alunos sejam incentivados a ajudarem-se mutualmente. 

Uma das aplicações mais interessantes nos jogos cooperativos na educação é o modo como eles podem prevenir e combater o bullying. O bullying é um tormento cruel e muito comum para alunos de todas as idades. Ele pode causar apenas um sofrimento leve num curto espaço de tempo como pode causar feridas que podem durar uma vida toda e afetar gravemente a saúde mental e/ou física. 

As crianças vítimas de bullying têm cinco vezes mais probabilidade de ficarem deprimidas quando comparadas com aquelas que não sofreram estas agressões. Além disso as crianças que praticam atos agressivos têm mais probabilidade de terem baixo desempenho escolar e posteriormente comportamentos de risco e isolamento social. 

Os jogos cooperativos que trabalham as questões do bullying podem ser utilizados em grande escala e em vários ambientes escolares e em diferentes faixas etárias. Professores, pais, educadores e até o governo têm consciência da problemática que é o bullying, é impossível ignorar o potencial que o bullying tem para perturbar as salas de aulas e prejudicar a aprendizagem. Mas o que podemos fazer? 

É necessário dar formação a todos os profissionais educacionais que estão em contacto com as crianças de modo que os mesmos consigam responder eficazmente a incidentes relacionados com os vários tipos de bullying. 

As técnicas de prevenção do bullying devem ser implementadas no ambiente escolar o mais cedo possível de modo a ser possível construir um clima escolar positivo. O clima escolar é a parte mais visível da cultura escolar; relacionado com os comportamentos e as condutas. Um clima escolar positivo é um local onde os alunos se podem sentir seguros e incluídos, e onde as interações sociais positivas são reforçadas. 

Os jogos cooperativos são inclusivos por natureza. Todos podem participar e ninguém é eliminado. Quando um participante precisa de ajuda, os outros participantes estarão lá para apoiá-lo. É psicologicamente seguro. Os jogadores ganham e perdem em grupo.  Trabalhar em direção a um objetivo comum coloca todos ao mesmo nível. 

Mas podem os jogos cooperativos resolver o problema das agressões? Há pesquisas que mostram que participar em jogos cooperativos de fato reduz a agressividade, independente da idade dos seus participantes. 

A pesquisa mais específica que mostra que os jogos cooperativos reduzem a agressividade está relacionada com crianças. É um estudo dos autores April K.Bay-Hinitz, Robert F. Peterson e Robert Quilitch da Universidade de Nevada, Reno que analisou os efeitos dos jogos cooperativos especificamente para combater o bullying com setenta crianças em 1994. Tanto durante os jogos como depois, as crianças que participaram nos jogos cooperativos mostravam um comportamento mais pró-social (demonstração de afeto, vontade de entreajuda, vontade de partilha, entre outros) e comportamentos menos agressivos (bater, empurrar, chamar nomes, etc).

Esta era uma abordagem inovadora. Pois os jogos cooperativos apesar de já serem utilizados, não tinham ainda sido aplicados ao problema do bullying. Este método de prevenção e redução do bullying é simples, barato e traz muitos benefícios. Assim, os jogos cooperativos podem ser uma ferramenta poderosa de prevenção e combate ao bullying. Que pode ser utilizado por pais, educadores, técnicas de educação, professores, entre outros, para cultivar um clima escolar positivo e enriquecedor. 

Referências utilizadas neste artigo:

CARVALHO, J., BARROS, P., & PEREIRA, M. (2009). O LÚDICO COMO UMA POSSIBILIDADE DE INTERVENÇÃO AO BULLYING E FORMAÇÃO DA CRIANÇA NA ESCOLA. CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO - EDUCERE. http://hdl.handle.net/1822/10172.

Pimenta Baliulevicius, N. (2006). Jogos cooperativos e valores humanos: perspectiva de transformação pelo lúdico. Fitness & Performance Journal, 5(1), 50-56. https://doi.org/10.3900/fpj.5.1.50.p

Candreva, T., Cassiani, V., Ruy, M., Thomazini, L., Cestari, H., & Prodócimo, E. (2009). A AGRESSIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL: O JOGO COMO FORMA DE INTERVENÇÃO. Pensar A Prática, 12(1). https://doi.org/10.5216/rpp.v12i1.4520

Bay-Hinitz, A., Peterson, R., & Quilitch, H. (1994). COOPERATIVE GAMES: A WAY TO MODIFY AGGRESSIVE AND COOPERATIVE BEHAVIORS IN YOUNG CHILDREN. Journal Of Applied Behavior Analysis, 27(3), 435-446. https://doi.org/10.1901/jaba.1994.27-435

(Fonte da imagem: https://www.freepik.com/free-vector/stop-bullying-illustration-concept_8845717.htm) 

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